IX Grande Prémio de Portugal
13 e 14 de Agosto


Philip Toll Hill Jr., ao volante do Ferrari 256 a descer a Estrada da Circunvalação. Um privilégio para todos os que puderam ver no Porto um dos mais ecléticos e rápidos pilotos da sua geração.



O Grande Prémio de Portugal de 1960 teve lugar no Porto, no Circuito da Boavista, a 14 de Agosto. A Ferrari alinhou com dois dos seus habituais Dino 256, para Phil Hill (#4) e Von Trips (#5), equipados com o habitual motor de 2.5 litros (quatro árvore de cames) e de 280 cv às 8500 rpm. 


Wolfgang Graf Berghe von Trips era um piloto determinado. Até 1960, alguma imprensa alcunhava-o de “Von Crash”, devido aos vários acidentes em que se via envolvido. A partir de 1961 tornou-se um piloto mais seguro, até dia 10 de Setembro em Monza.


Nesta altura, o recorde do circuito da Boavista pertencia ainda a Mike Hawthorn, que em 1958 ao volante do Ferrari Dino 246 (#0003), conseguiu um tempo por volta de 2:32.37.
Durante os treinos, o Lotus 18 de John Surtees alcançou a pole position (2:25.56), enquanto que os Ferrari conseguiram a quarta linha da grelha, com Von Trips (2:28.40) e Phil Hill (2:28.42).
Na corrida, Phil Hill conseguiu, nas primeiras voltas rodar no terceiro lugar, logo atrás dos Lotus 18 de Surtees e de Stirling Moss (equipa de Rob Walker). Von Trips sofreu um acidente, logo na 1ª volta da corrida, (danificando o vulnerável nariz dos seu monolugar) e a partir daí encetou uma recuperação fabulosa, que o levaria à 21ª volta ao 8º lugar da geral.
Phil Hill, manteve uma interessante e intensa luta com Jack Brabham (Cooper-Climax), lutando pelo 2º lugar da corrida, com algumas trocas de posições, até que, o americano da Ferrari começou a sentir (a partir da 27ª volta) alguns problemas com a caixa de velocidades, que o levou a falhar uma passagem de caixa (na 29ª volta), sair largo na curva entre a Avenida Antunes Guimarães e a Rua do Lidador, e a embater contra alguns fardos de palha, danificando a direcção do seu 246. Hill colocou o seu monolugar de novo em andamento, com o objectivo único de terminar a corrida, mas os organizadores não permitiram que esperasse pelo final da corrida junto à meta. Apesar dos esforços, Hill já não conseguiu, devido aos problemas de caixa de velocidades, por em andamento o seu Ferrari, abandonando a corrida. Von Trips terminou-a no quarto lugar.
1961 seria o ano em que a Ferrari apostava a 100% num monolugar de motor traseiro, e venceria os títulos em disputa, mas nesse ano já não se disputou o Grande Prémio de Portugal, que voltaria somente em 1984.
Refira-se como curiosidade, que após o Grande Prémio de Portugal de 1958 (corrido no Porto) Hawthorn telefonou para Enzo Ferrari, a partir da sua casa em Farnham, no sentido de o pressionar a equipar o seu monolugar com travões de disco. Peter collins, que possuia na altura um Ferrari 250 GT de uso pessoal, numa das suas idas à Grã-Bretanha, equipou-o com travões de disco Dunlop iguais aos usados na época pelos Jaguar XK150. Levou-o para Maranello (antes do Grande Prémio da Alemanha, onde sofreu um acidente fatal) na qual os técnicos italianos fizeram uma inspecção, e Ferrari concordou em fazer a montagem destes travões no 246 de Hawthorn. Peter Collins contactou a Dunlop para receber a aprovação na sua utilização, e enviaram a Maranello um técnico (Engº Harold Hodkinson) para supervisionar a montagem. E, desta forma, Hawthorn teve o seu 246 (#3/#5) equipado com travões de disco (à frente e atrás) para o Grande Prémio de Itália 1958.

                                         Phil Hill junto ao Castelo do Queijo.



Taça Secretariado de Informação







Como prova complementar ao Grande Prémio de Portugal de Formula 1, disputou-se igualmente neste evento, uma corrida destinada aos automóveis de Grande Turismo. A lista de participantes foi composta pelos principais pilotos e automóveis da época em Portugal, onde surgiram os Mercedes 300 SL de António Barros e Horácio Macedo, alguns Alfa Romeo Giulietta Veloce, MGA, Triumph TR3, entre outros. De entre eles, surgiu um novo automóvel nas competições portuguesas, o Ferrari 250 GT "Passo Corto". 
O Ferrari 250 GT #2035GT, havia chegado a Portugal a 13 de Julho de 1960 e foi destinado a Jorge de Moura Pinheiro, que o estreou em competições nesta corrida disputada no Circuito da Boavista.
E este piloto e o #2035GT conseguiram dominar por completo os treinos e a corrida, pondo fim a uma domínio até essa altura, dos Mercedes 300 SL nas competições portuguesas de GT.
A corrida teve quinze voltas, dominadas integralmente pelo Ferrari 250 GT, que para além da "Pole Position" e da vitória na corrida, averbou igualmente a volta mais rápida, à média de 140,595 Km/h (2ª volta).
Horácio Macedo, que, como já referimos acima, esteve presente nessa corrida com um Mercedes, não ficou indiferente à performance do #2035GT, e adquiriu o Ferrari a Moura Pinheiro, logo após o evento na Boavista.
Horácio Macedo iniciou uma relação com o Ferrari que durou até 1964.
Com o Ferrari 250 GT #2035GT, Horácio Macedo, sagrou-se vencedor absoluto do Campeonato Nacional de Condutores em 1961 e 1963 e campeão na categoria de Grande Turismo em 1962, tornando-se esta uma das ligações automóvel / piloto de maior sucesso da história do automobilismo desportivo em Portugal.